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quinta-feira, 26 de abril de 2012

REUNIÃO DE DEMÔNIOS


Dizem que Satanás convocou uma Convenção Mundial de Demônios. Em seu discurso de abertura, ele disse:
- Não podemos impedir os cristãos de irem à igreja. Não podemos impedi-los de ler as suas Bíblias e conhecerem a Verdade. Nem mesmo podemos impedi-los de formar um relacionamento íntimo com o seu Salvador. E, uma vez que eles ganham essa conexão com Jesus, o nosso poder sobre eles está quebrado. Então vamos deixá-los ir para suas igrejas, vamos deixá-los com os almoços e jantares que nelas eles organizam. Mas... vamos roubar-lhes o TEMPO que têm, de maneira que não sobre tempo algum para desenvolver um relacionamento com Jesus Cristo. O que eu quero que vocês façam é o seguinte: distraiam-nos, a ponto de que não consigam aproximar-se do seu Senhor.
- Como vamos fazer isso? - gritaram os seus demônios.
Ele respondeu-lhes:
- Mantenham-nos ocupados nas coisas não essenciais da vida, e inventem inumeráveis assuntos e situações que ocupem as suas mentes.
- Tentem-nos a gastarem, gastarem, e tomar emprestado, tomar emprestado.
-  Persuadam as suas esposas a irem trabalhar durante longas horas, e os maridos a trabalharem de 6 a 7 dias por semana, durante 10 a 12 horas por dia, a fim de que eles tenham capacidade financeira para manter os seus estilos de vida fúteis e vazios.
- Criem situações que os impeçam de passar algum tempo com seus filhos.
- À medida que suas famílias forem se fragmentando, muito em breve seus lares já não mais oferecerão um lugar de paz para se refugiarem das pressões do trabalho.
- Estimulem suas mentes com tanta intensidade que eles não possam mais escutar aquela voz suave e tranquila que orienta seus espíritos.
- Encham as mesinhas de centro de todos os lugares com revistas de fofocas.
- Bombardeiem as suas mentes com notícias, 24 horas por dia.
- Invadam os momentos em que estão dirigindo, fazendo-os prestar atenção a cartazes chamativos.
- Inundem as suas caixas de correio com mensagens totalmente inúteis, catálogos de lojas que oferecem vendas pelo correio, loterias, bolos de apostas, ofertas de produtos gratuitos, serviços e falsas esperanças.
- Mantenham lindas e delgadas as modelos nas revistas e na TV, para que seus maridos acreditem que a beleza externa é o que é importante e eles se tornarão mal satisfeitos com suas próprias esposas.
- Mantenham as esposas demasiadamente cansadas para amarem seus maridos à noite, e dê-lhes estresse, desconforto e dor de cabeça também. Se elas não derem a seus maridos o amor que eles necessitam, eles então começarão a procurá-lo em outro lugar, e isto, sem dúvida, fragmentará as suas famílias rapidamente.
- Dê-lhes Papai Noel, para que esqueçam a necessidade de ensinarem aos seus filhos o significado do Natal.
- Dê-lhes o Coelho da Páscoa, para que eles não falem sobre a Ressurreição de Jesus Cristo e do Seu poder sobre o pecado e a morte.
- Até mesmo quando estiverem se divertindo, se distraindo, que tudo seja feito com excessos, para que, ao voltarem dali, estejam exaustos.
- Mantenha-os de tal modo ocupados que nem pensem em caminhar na natureza, e assim não reflitam na criação de Deus. Ao invés disso, mande-os somente aos parques de diversão, acontecimentos esportivos, peças de teatro, concertos e ao cinema. Mantenha-os ocupados, ocupados.
- E, quando se reunirem para um encontro, ou mesmo uma reunião espiritual, envolva-os em mexericos e conversas sem importância, para que, ao saírem, o façam com as consciências pesadas.
- Encham as vidas de todos eles com tantas causas nobres e importantes a serem defendidas, que eles se achem importantes, poderosos, mais capazes que o seu Deus.
- Muito em breve eles estarão buscando em suas próprias forças as soluções para seus problemas e causas que defendem, sacrificando sua saúde e suas famílias pelo bem da causa.
- Isto vai funcionar! Vai funcionar!

Os demônios ansiosamente partiram para cumprir as determinações do Chefe, fazendo com que os cristãos, em todo o mundo, ficassem mais ocupados e mais apressados, indo daqui para ali e vice-versa, tendo pouco tempo para Deus e para suas famílias, finalmente esquecendo-se do seu Deus.

Creio que a pergunta é: Teve o diabo sucesso nas suas maquinações?

domingo, 15 de abril de 2012

POIS QUE VENHA O DILÚVIO!

por Raquel Nascimento Pereira

Estou começando a pensar que num futuro bem próximo tudo isso vai acontecer mesmo. Não haverá mais ninguém que impeça a liberação do aborto, a utilização de fetos ou a construção de humanos híbridos para “experiências científicas”, a liberação das drogas, a inversão dos valores morais, o cisma na Igreja (retrógrada), a concupiscência dentro dos lares, a destruição da família (instituição falida), a descriminalização de todos os demais crimes... e tudo será permitido, “como o diabo gosta”. 

Enfim, a humanidade toda, enfraquecida, mergulhada na miséria moral, agonizando, sucumbirá. Desta vez não será a queda da Babilônia, nem a queda do Império Romano, mas a queda da humanidade inteira. Sim, tudo irá mesmo ruir - com a conivência de muitos de nós - e será devastador.  A guerra e a fome virão em seguida, para completar o cenário. E então os poderosos deste mundo brindarão a sua vitória: atingiram o seu objetivo.

Mas a alegria deles vai durar pouco. Pois o que será que farão esses donos-do-mundo quando se derem conta de que governam um bando de mortos-vivos estirados em terra árida? Será que pensaram mesmo que isso daria certo? Tão astutos e tão burros! Deixaram de lado a sabedoria, esqueceram-se de que cada um colhe o que planta, invariavelmente. Tanto tempo perdido, tanto dinheiro investido para dar em nada! Derrotados, lamentarão a sua incompetência e, culpando-se mutuamente, submergirão no lamaçal da sua própria arrogância. "Quem vive de churrasco cria boi gordo!", já dizia eu. Simples assim.

Finalmente, quando a humanidade tiver sido dizimada pelo poder do mal e quando o mal vier à falência por não ter mais a quem subjugar, ficaremos quites: zero a zero. No entanto, há uma carta na manga: nesse momento - e só então - sorrateiramente surgirá do nada um pequeno resto (porque sempre há um pequeno resto) renascendo das cinzas, empunhando um raio de luz. Saindo silenciosamente da sua Arca de Noé, de par em par, esta nova raça de homens, mulheres e crianças começará tudo de novo. Um a zero.

E assim nascerá uma nova humanidade. Um novo Adão e uma nova Eva para contarem uma nova História. Quem de nós fará parte desse grupo?
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quarta-feira, 11 de abril de 2012

MÁ FORMAÇÃO CONGÊNITA É MOTIVO PARA ABORTAR?

Hoje o Brasil discute e vota para aprovar a lei a favor do aborto de anencéfalos.  Pois aqui vai a minha história.

Engravidei com 30 anos da minha filha caçula. Eu já tinha três filhos, com 12, 9 e 8 anos. O filho mais novo pegou rubéola na escola, contaminando seus irmãos e a mim, na minha terceira semana de gravidez. Mal eu soube que estava grávida e já estava contaminada pela rubéola.

RUBÉOLA CONGÊNITA
A transmissão da rubéola ao feto se dá principalmente por ocasião da infecção materna. A passagem transplacentária do vírus ocorre durante a viremia materna e estudos epidemiológicos mostram que esta transmissão é altamente provável quando a infecção se dá no primeiro trimestre da gestação, sendo de suma gravidade a ação teratogênica (terato = monstro; gênica = gens) neste período. A incidência de malformações varia de acordo com o momento da infecção materna: 40-60% de risco nos dois primeiros meses de gestação (aborto espontâneo ou defeitos congênitos múltiplos), 30-35% no 3º mês (surdez ou doença coronariana congênita), caindo para 10% no 4º mês. A partir do 5º mês de gravidez, o risco de lesão fetal é praticamente nulo.
O recém-nascido infectado vai se transformar em reservatório do vírus, propagando a doença aos seus contatos, já que sua eliminação pode se dar até 18 ou 24 meses de idade. 
O quadro clínico da rubéola congênita é visto como uma doença crônica e progressiva, frequentemente silenciosa na sua evolução, sendo que os casos assintomáticos são em número muito maior do que os sintomáticos, mas nem por isso causam menos prejuízo à criança. Além disso, deve-se lembrar que crianças que foram infectadas intra-útero e se mostram aparentemente normais ao nascimento podem apresentar as manifestações tardias da rubéola congênita, que estão associadas com a persistência e reativação do vírus e também com mecanismos auto-imunes (diabetes mellitus) em alguns casos. 
Os casos clínicos sintomáticos podem apresentar uma variedade muito grande de sinais que já estão presentes ao nascimento ou que vão se evidenciar dentro do primeiro ano de vida.

Fui ao ginecologista, que me advertiu da grande possibilidade de má formação do feto e me indicou o aborto, marcando uma data para o procedimento.  Apesar de eu não ter nenhuma religião e nenhuma formação espiritual a respeito, havia o senso moral: o aborto era algo que eu jamais havia cogitado.  Fui para casa pensativa e um tanto amedrontada.  Não falei para ninguém, nem mesmo para meu marido.
Naquela época, minha sogra morava em Rondônia. Ela é evangélica e mandou um recado por telefone para mim, através do trabalho do meu marido, dizendo: “Eu estive na igreja ontem e tenho um recado para a Raquel. Diga a ela que a doença não passou para a criança.” Meu marido chegou em casa à noite e me passou o recado, sem saber que a data para o aborto já estava agendada.
No dia do “procedimento cirúrgico”, fui ao médico e, durante a consulta preliminar, perguntei-lhe se havia possibilidade de a rubéola não ter contaminado o feto. Ele riu, disse que compreendia a minha aflição, mas que infelizmente o vírus da rubéola atravessa a placenta. Então, pedi-lhe um exame no cordão umbilical do feto. Se desse positivo, só então concordaria com o aborto. Para não me desagradar, o médico concordou.

Aspectos Imunológicos: na gestante, a IgG cruza a placenta e esta transferência passiva só ocorre de maneira substancial após a 16ª até a 20ª semana, sendo que antes dessa época somente 5-10% dos níveis de anticorpos maternos são detectados no sangue fetal. Por outro lado, a resposta fetal humoral só se torna efetiva também por volta da segunda metade da gestação, quando se consegue encontrar anticorpos fetais em quantidades tituláveis. Desta maneira, existe um hiato de alguns meses entre a época de infecção do concepto (quando ela ocorre nas primeiras semanas da gestação) e a resposta imune efetiva, deixando campo aberto para que a invasão viral do feto se faça de maneira devastadora, atingindo praticamente todos os órgãos. 
Normalmente, durante a 19ª à 25ª semana, o anticorpo IgM específico fetal pode ser detectado e, a partir daí, ele aumenta gradativamente até constituir parcela importante do pool de anticorpos do cordão umbilical. Às vezes, se a infecção é muito severa, encontra-se também a IgA fetal. A IgG fetal também é produzida em pequenas quantidades, mas se confunde com a IgG materna. 
Resumindo, por ocasião do nascimento o sangue de cordão de um recém-nascido infectado contém:
IgG materna em grandes quantidades;
IgA e IgM fetal e;
IgG fetal ( em pequenas quantidades ).
A IgM fetal continua a ser produzida de 3 a 5 meses após o nascimento, se tornando a imunoglobulina dominante neste período devido à baixa de IgG materna pelo catabolismo natural. Mais tarde, quando diminui a replicação viral, usualmente após o 6º mês, cai o nível de IgM e começa a aumentar IgG, desta vez de origem da criança, já que por essa ocasião a IgG materna praticamente inexiste.
Níveis altos de IgG são mantidos durante vários anos, variando consideravelmente entre pacientes, demonstrando de maneira indireta que a replicação viral continua por tempo variável.

No dia seguinte fui buscar o resultado do exame e encontrei o médico surpreso: por algum motivo, a minha rubéola não havia contaminado o bebê.

Bárbara nasceu com oito meses de gestação, 3,5kg e 52cm, em perfeita saúde, e mais: imune à rubéola. Hoje tem 21 anos. Em 2011 formou-se em Administração, trabalha e é independente. Ela mesma diz: "Sinto que tenho algo muito importante para fazer nesta vida!" Sim, por certo Bárbara não veio à toa para este mundo.



domingo, 1 de abril de 2012

A HISTÓRIA OFICIAL DE 1964

Olavo de Carvalho
O Globo, 19 de janeiro de 1999

Se houve na história da América Latina um episódio sui generis, foi a Revolução de Março (ou, se quiserem, o golpe de abril) de 1964. Numa década em que guerrilhas e atentados espoucavam por toda parte, seqüestros e bombas eram parte do cotidiano e a ascensão do comunismo parecia irresistível, o maior esquema revolucionário já montado pela esquerda neste continente foi desmantelado da noite para o dia e sem qualquer derramamento de sangue.

O fato é tanto mais inusitado quando se considera que os comunistas estavam fortemente encravados na administração federal, que o presidente da República apoiava ostensivamente a rebelião esquerdista no Exército e que em janeiro daquele ano Luís Carlos Prestes, após relatar à alta liderança soviética o estado de coisas no Brasil, voltara de Moscou com autorização para desencadear – por fim! – a guerra civil no campo. Mais ainda, a extrema direita civil, chefiada pelos governadores Adhemar de Barros, de São Paulo, e Carlos Lacerda, da Guanabara, tinha montado um imenso esquema paramilitar mais ou menos clandestino, que totalizava não menos de 30 mil homens armados de helicópteros, bazucas e metralhadoras e dispostos a opor à ousadia comunista uma reação violenta. Tudo estava, enfim, preparado para um formidável banho de sangue.

Na noite de 31 de março para 1o. de abril, uma mobilização militar meio improvisada bloqueou as ruas, pôs a liderança esquerdista para correr e instaurou um novo regime num país de dimensões continentais – sem que houvesse, na gigantesca operação, mais que duas vítimas: um estudante baleado na perna acidentalmente por um colega e o líder comunista Gregório Bezerra, severamente maltratado por um grupo de soldados no Recife. As lideranças esquerdistas, que até a véspera se gabavam de seu respaldo militar, fugiram em debandada para dentro das embaixadas, enquanto a extrema-direita civil, que acreditava ter chegado sua vez de mandar no país, foi cuidadosamente imobilizada pelo governo militar e acabou por desaparecer do cenário político.

Qualquer pessoa no pleno uso da razão percebe que houve aí um fenômeno estranhíssimo, que requer investigação. No entanto, a bibliografia sobre o período, sendo de natureza predominantemente revanchista e incriminatória, acaba por dissolver a originalidade do episódio numa sopa reducionista onde tudo se resume aos lugares-comuns da "violência" e da "repressão", incumbidos de caracterizar magicamente uma etapa da história onde o sangue e a maldade apareceram bem menos do que seria normal esperar naquelas circunstâncias.

Os trezentos esquerdistas mortos após o endurecimento repressivo com que os militares responderam à reação terrorista da esquerda, em 1968, representam uma taxa de violência bem modesta para um país que ultrapassava a centena de milhões de habitantes, principalmente quando comparada aos 17 mil dissidentes assassinados pelo regime cubano numa população quinze vezes menor. Com mais nitidez ainda, na nossa escala demográfica, os dois mil prisioneiros políticos que chegaram a habitar os nossos cárceres foram rigorosamente um nada, em comparação com os cem mil que abarrotavam as cadeias daquela ilhota do Caribe. E é ridículo supor que, na época, a alternativa ao golpe militar fosse a normalidade democrática. Essa alternativa simplesmente não existia: a revolução destinada a implantar aqui um regime de tipo fidelista com o apoio do governo soviético e da Conferência Tricontinental de Havana já ia bem adiantada. Longe de se caracterizar pela crueldade repressiva, a resposta militar brasileira, seja em comparação com os demais golpes de direita na América Latina seja com a repressão cubana, se destacou pela brandura de sua conduta e por sua habilidade de contornar com o mínimo de violência uma das situações mais explosivas já verificadas na história deste continente.

No entanto, a historiografia oficial – repetida ad nauseam pelos livros didáticos, pela TV e pelos jornais – consagrou uma visão invertida e caricatural dos acontecimentos, enfatizando até à demência os feitos singulares de violência e omitindo sistematicamente os números comparativos que mostrariam – sem abrandar, é claro, a sua feiúra moral – a sua perfeita inocuidade histórica.

Por uma coincidência das mais irônicas, foi a própria brandura do governo militar que permitiu a entronização da mentira esquerdista como história oficial. Inutilizada para qualquer ação armada, a esquerda se refugiou nas universidades, nos jornais e no movimento editorial, instalando aí sua principal trincheira. O governo, influenciado pela teoria golberiniana da "panela de pressão", que afirmava a necessidade de uma válvula de escape para o ressentimento esquerdista, jamais fez o mínimo esforço para desafiar a hegemonia da esquerda nos meios intelectuais, considerados militarmente inofensivos numa época em que o governo ainda não tomara conhecimento da estratégia gramsciana e não imaginava ações esquerdistas senão de natureza inssurrecional, leninista. Deixados à vontade no seu feudo intelectual, os derrotados de 1964 obtiveram assim uma vingança literária, monopolizando a indústria das interpretações do fato consumado. E, quando a ditadura se desfez por mero cansaço, a esquerda, intoxicada de Gramsci, já tinha tomado consciência das vantagens políticas da hegemonia cultural, e apegou-se com redobrada sanha ao seu monopólio do passado histórico. É por isso que a literatura sobre o regime militar, em vez de se tornar mais serena e objetiva com a passagem dos anos, tanto mais assume o tom de polêmica e denúncia quanto mais os fatos se tornam distantes e os personagens desaparecem nas brumas do tempo.

Mais irônico ainda é que o ódio não se atenue nem mesmo hoje em dia, quando a esquerda, levada pelas mudanças do cenário mundial, já vem se transformando rapidamente naquilo mesmo que os militares brasileiros desejavam que ela fosse: uma esquerda socialdemocrática parlamentar, à européia, desprovida de ambições revolucionárias de estilo cubano. O discurso da esquerda atual coincide, em gênero, número e grau, com o tipo de oposição que, na época, era não somente consentido como incentivado pelos militares, que viam na militância socialdemocrática uma alternativa saudável para a violência revolucionária.

Durante toda a história da esquerda mundial, os comunistas votaram a seus concorrentes, os socialdemocratas, um ódio muito mais profundo do que aos liberais e capitalistas. Mas o tempo deu ao "renegado Kautsky" a vitória sobre a truculência leninista. E, se os nossos militares tudo fizeram justamente para apressar essa vitória, por que continuar a considerá-los fantasmas de um passado tenebroso, em vez de reconhecer neles os precursores de um tempo que é melhor para todos, inclusive para as esquerdas? 

Para completar, muita gente na própria esquerda já admitiu não apenas o caráter maligno e suicidário da reação guerrilheira, mas a contribuição positiva do regime militar à consolidação de uma economia voltada predominantemente para o mercado interno – uma condição básica da soberania nacional. Tendo em vista o preço modesto que esta nação pagou, em vidas humanas, para a eliminação daquele mal e a conquista deste bem, não estaria na hora de repensar a Revolução de 1964 e remover a pesada crosta de slogans pejorativos que ainda encobre a sua realidade histórica?