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quinta-feira, 18 de maio de 2017

Redentores com Jesus e Co-redentores com Maria

“Completo em minha carne o que falta à paixão de Cristo na Cruz” (Cl 1,24).

Isso, à primeira vista, pode parecer contraditório, pois a Paixão do Senhor foi completa por si mesma. Escreveu o Papa João Paulo II: “Do paradoxo da Cruz surge a resposta às nossas interrogações mais inquietantes. Cristo sofre por nós: Ele assume sobre si os sofrimentos de todos e redime-os. Cristo sofre conosco, dando-nos a possibilidade de partilhar com Ele os nossos sofrimentos. Juntamente com o de Cristo, o sofrimento humano torna-se meio de salvação. Eis por que o crente pode dizer com São Paulo: ‘Agora alegro-me nos sofrimentos que suporto por vós e completo na minha carne o que falta às tribulações de Cristo, pelo seu Corpo, que é a Igreja’ (Cl 1,24). O sofrimento, aceito com fé, torna-se a porta para entrar no mistério do sofrimento redentor do Senhor. Um sofrimento que já não priva da paz e da felicidade, porque é iluminado pelo esplendor da ressurreição” (Mensagem Dia Mundial do Doente, 11/2/2004). 

Se posso completar na minha carne o que “falta” à Paixão de Cristo na Cruz, então também posso completar, pela minha atitude orante, o que “falta” à intercessão de Maria pela salvação do mundo?


Se Jesus é o Redentor da humanidade, Maria é co-redentora.  Se unimos nossos sofrimentos aos sofrimentos de Cristo na Cruz, então também podemos unir nossa oração à intercessão de Maria pela humanidade.

Tenho a impressão de que quando Nossa Senhora de Fátima nos pede: “Rezai o Terço”, é como se não estivesse mais dando conta de advogar por tantos pecadores! Observe que Fátima é Aquela que PEDE: “Rezai o Terço pelos pecadores do mundo inteiro! Muitas almas vão para o inferno porque não há quem reze e se sacrifique por elas”. Fátima insiste para que a ajudemos nesse combate espiritual. Ela como que implora, pelos seus olhar entristecido e suplicante, que rezemos o Terço pela conversão dos pecadores. Olhe para os olhos dela e veja a sua angústia: Fátima PRECISA de nós, precisa que rezemos o Terço diariamente. Isso é absolutamente importante para Ela!

Sendo assim, ser devoto de Fátima é, antes de tudo, uma atitude de obediência filial. Rezar o Terço então não será apenas uma devoção mariana ou para pedir determinada graça, mas um dever de co-redentores, com Maria, na oração.


Jesus quer que unamos o nosso sofrimento à Sua Cruz redentora. 
O sofrimento, assim, encontra sentido e sofremos com alegria, 
sem enfados ou murmurações, porque é Cristo que sofre em nós.

Maria quer que unamos as nossas orações às Suas preces de intercessão. 
A nossa oração, assim, encontra sentido e rezamos com alegria, 
sem enfados ou murmurações, porque é Maria que reza em nós.

Assim, com Jesus e Maria, salvamos almas para Deus.
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quarta-feira, 26 de abril de 2017

Sobre a Teologia da Libertação

“O cristão não pode ser, de forma alguma, insensível à miséria dos povos do Terceiro Mundo. Todavia, para acudir cristãmente a tal situação, não lhe é necessário adotar um sistema de pensamento que é anticristão como a Teologia da Libertação; existe a doutrina social da Igreja, desenvolvida pelos Papas desde Leão XIII até João Paulo II de maneira cada vez mais incisiva e penetrante. Se fosse posta em prática, eliminaria graves males de que sofrem os homens, sem disseminar o ódio e a luta de classes”.

Card. Ratzinger – Eu vos explico a Teologia da Libertação

sexta-feira, 14 de abril de 2017

A descida do Senhor à mansão dos mortos

De antiga Homilia no grande Sábado Santo (séc IV) - autor grego desconhecido.
– Da Liturgia das Horas – II Leitura do Sábado Santo.

Que está acontecendo hoje? Grande silêncio na terra. Grande silêncio e por isso solidão. Grande silêncio porque o Rei está dormindo: a terra atemorizou-se e calou, porque o Deus feito homem adormeceu e acordou os que dormiam há séculos. Deus morreu na carne e despertou a mansão dos mortos. Vai, antes de tudo, à procura de nosso primeiro pai, a ovelha perdida. Faz questão de visitar os que estão mergulhados nas trevas e na sombra da morte. Deus e seu Filho vão ao encontro de Adão e Eva cativos, agora libertos dos sofrimentos.

O Senhor aproximou-se deles, empunhando a cruz vitoriosa. Ao vê-lo, Adão, nosso primeiro pai, cheio de espanto bate no peito e clama para todos: “O meu Senhor está no meio de nós”. E Cristo respondeu a Adão: “E com teu espírito”. E, segurando-o pela mão, disse: “Acorda, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e Cristo te iluminará.

Eu sou o teu Deus que por tua causa me tornei teu filho; por ti e por aqueles que nasceram de ti, digo agora e, no meu poder, ordeno aos que estavam nos grilhões: Saí!, e aos que estavam nas trevas: Enchei-vos de luz!, e aos entorpecidos: Levantai-vos! A ti ordeno: Acorda, tu que dormes, porque não te criei para permaneceres acorrentado na mansão dos mortos. Levanta-te dentre os mortos, eu sou a vida dos mortos. Levanta-te, obra das minhas mãos; levanta-te, ó minha imagem, tu que foste criado à minha semelhança. Levanta-te, saiamos daqui; tu em mim e eu em ti, somos uma só e indivisível pessoa.

Por ti, eu, o teu Deus, me tornei teu filho; por ti, eu, o Senhor, tomei tua forma de escravo. Por ti, eu, que estou acima dos céus, vim à terra e até mesmo sob a terra; por ti, feito homem, tornei-me como alguém sem apoio, que jaz entre os mortos. Por ti, que deixaste o jardim, ao sair de um jardim fui entregue aos judeus e num jardim, crucificado.

Vê em meu rosto os escarros que por ti recebi, para restituir-te o sopro da vida. Vê as minhas faces esbofeteadas para restaurar, segundo a minha imagem, a tua beleza corrompida.

Vê em meus ombros a flagelação que suportei para retirar dos teus ombros os pesos dos pecados. Vê minhas mãos pregadas à árvore da cruz, para teu bem, como um dia estendeste a tua para o mal, na árvore do paraíso.

Adormeci na cruz e por tua causa a lança transpassou meu lado, como Eva surgiu do teu, ao adormeceres no paraíso. Meu lado curou a dor do teu lado. Meu sono vai arrancar-te do sono da morte. Sustive com a minha espada a que se voltava contra ti.

Levanta-te, vamos daqui. A ti o inimigo retirou da terra do paraíso; eu, porém, não volto a colocar-te no paraíso, mas num trono celeste. O inimigo arrebatou-te a árvore, símbolo da vida; eu, porém, que sou a vida, me uni a ti. Constituí anjos que, como servos, te guardassem; faço agora que eles te prestem a adoração devida a Deus.

Está preparado o trono dos querubins, alertas e a postos os mensageiros, disposto o tálamo e preparadas as iguarias; as mansões e os tabernáculos eternos estão adornados, abertos os cofres de todos os bens, e o reino dos céus foi preparado para ti antes dos séculos.”

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Sexta-feira Santa

Hoje é Sexta-feira Santa, dia da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo. Hoje é o dia em que, há quase dois mil anos atrás, Jesus, o Filho de Deus, morreu numa Cruz por nossos pecados. Hoje é o dia de pensarmos nEle, na sua morte, e também na nossa morte. Mesmo para quem não é cristão, a morte é um mistério, e uma certeza: todos nós, um dia, morreremos. Desde o primeiro minuto da nossa concepção, no ventre de nossa mãe, a morte é a única coisa certa que nos vai acontecer.

Tudo pode acontecer na nossa vida: as felicidades, os momentos de alegria, as vitórias, e também as incertezas, as decepções, os infortúnios, as doenças, e tudo isso passa. Um dia você ganha, um dia você perde. Num dia estamos tristes, no outro dia estamos felizes, e muitas das tristezas que vivemos podem ser superadas, ou até mesmo evitadas... menos a morte.

Não se comemora a morte de um familiar nosso com banquetes, músicas, bebidas, divertimentos. A morte é sempre um fato triste. E para nós, cristãos, Jesus é nosso Irmão, Filho de Deus Pai. Nós somos da família de Deus. Se você não entende isso, ao menos procure respeitar o nosso pesar neste dia. Não se cumprimenta com pêsames os familiares de alguém falecido? Quando um amigo seu falece, você faz festa com os seus familiares no dia do velório? Claro que não. Pois então, compartilhe conosco a nossa dor, ao menos por educação, apenas respeitando o nosso silêncio.

E hoje é um dia muito pesaroso para nós, o dia da Paixão e Morte do Deus que se fez homem, do NOSSO Deus, dEste que nos deu a Vida. Mas Ele, sendo DEUS, deu jeito para a morte: VENCEU a morte e ressuscitou - o único “Homem” que ressuscitou na história -, e nos abriu as portas da eternidade, porque Ele é DEUS!
Por isso, ofereçamos a Ele, neste dia, a nossa gratidão, unindo-nos ao Seu sofrimento na Cruz POR NÓS. Subamos ao Monte Calvário com Jesus, choremos com Ele, sintamos a Sua dor. Foi por nós! Silencie o nosso coração neste dia. Foi por nós, para nos redimir de nossos pecados, que ele sofreu e morreu numa Cruz. Unamo-nos a Ele com todo o nosso coração e nossa alma, entreguemos a Ele as nossas amarguras, os nossos sofrimentos, as nossas limitações, as nossas inquietações, entreguemos a Ele toda a nossa vida, tudo aos pés da sua Cruz, para que, no sábado da Ressurreição, unidos a Ele, ressuscitemos com Ele para uma vida nova!

quarta-feira, 8 de março de 2017

Dia da Mulher - MARIA

Se é para homenagear a mulher, que seja a Mulher das mulheres, Maria. 

Podemos homenageá-la imitando:
- o seu sim, a sua entrega total a Jesus (faça-se em mim segundo a tua vontade);
- a sua total confiança em Deus (aceitou ser Esposa do Espírito Santo, mesmo que isso lhe custasse perder o noivo e ser apedrejada até a morte em praça pública);
- a sua vida de oração e louvor (A minha alma engrandece ao Senhor...) 
- o seu amor ao próximo (aquela que, mesmo grávida, foi correndo ajudar a sua prima Isabel);
- o seu total despojamento (aquela que deu à luz numa manjedoura abandonada, tendo às mãos apenas alguns paninhos para cobrir o Menino);
- aquela que se submetia aos cuidados de seu marido (quando um Anjo falou a José, dizendo: Levanta-te, toma o Menino e sua Mãe, e foge para o Egito);
- o seu silêncio (ouvia tudo e guardava tudo no coração);
- a sua modéstia (vestia-se com simplicidade e recato);
- aquela que cumpria a lei do Senhor: “Todo primogênito masculino será consagrado ao Senhor” (quando levou Jesus para ser apresentado no Templo);
- aquela que cumpria os preceitos religiosos em comunidade (ia com José, todos os anos, em caravana, a Jerusalém, para a festa da Páscoa);
- a sua intercessão (“Eles não têm mais vinho!”, nas Bodas de Caná);
- a sua resignação no sofrimento (aquela que ficou em pé no momento da crucificação);
- a sua serenidade (quando Jesus, já morto, foi descido da cruz e depositado em seu colo);
- a sua vida em comunidade (estava com os apóstolos no Cenáculo, no Pentecostes).

Olhemos para Maria, a nova Eva. Ela nos ensina, a todos nós, homens e mulheres, o caminho da perfeição: "Sede perfeitos, como vosso Pai é perfeito".
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